a DEA sou eu

dizer adeus a um dos meus meninos é sempre difícil.
dizer-te adeus, ruizinho, é uma dor que arde sem se ver.
a despedida a que chamaste formatada desformatou-me. aqui fica, sem pedido de autorização.

Esta poderá ser a última lembrança que terão de mim, mas longe de mim querer que esta carta seja uma despedida, será mais um… até breve!

Agora que me vou, o melhor elogio que vos posso fazer é dizer que não me ocorre nenhuma recordação negativa destes anos que passei junto de vós. Nada…é como se houvesse um bloqueio de tristeza que não me deixa exprimir o que algumas vezes senti de injustiças, de dificuldades, de cansaço, etc… É quase como se tudo isso fosse apagado da minha memória como um traço que tantas vezes fiz sobre o papel.

Mas as minhas últimas palavras não serão sobre trabalho…serão de sentimentos!
A relação ambígua de existir tanta tristeza na felicidade é culpa vossa, culpa da vossa “estranheza”, da vossa singularidade, do vosso modo de ser que sempre me fascinou (como o de cada um nós) desde o primeiro dia. Na realidade, a “biodiversidade” de criaturas humanas que habita(ou) esse espaço, tinha (e tem…) tanto de belo como de irreal, mas não será a vida isso mesmo?

Muitos de vocês não se dão conta de que as vossas particularidades e idiossincrasias (como eu adoro esta palavra…) são o que de melhor têm, que é aquilo que vos devolve ao mundo todos os dias, depois de mais um dia a ler maus textos, aturar autores duvidosos, a ver más paginações, a escrever mais relatórios e impressos, a actualizar mais informação, a ver mais paletes e mais capas, a ouvir mais desculpas e ordens, etc e tal…Este bulício é o nosso sangue, é o que, mesmo negado e excomungado, nos faz gostar de um trabalho diferente e de uma “escola” de relações, anormalmente, perfeita!

Se bem que saiba que vá encontrar algo de que gostarei e outras pessoas “lúcidas e estranhas”, nada apagará a vossa singularidade e os vossos hábitos…
Digam-me como poderei trabalhar conscientemente sem o primeiro café tomado com a minha Fada Madrinha a discutir a actualidade e o último desatino da Brenda, sem escutar as “cegadas” e protestos da Pestinha, sem as conversas sui generis e “reais” mais o Inimigo Público da Ana Isabel, o pragmatismo da provedora de grupo, minha companheira de ciência, Margarida, discutir as novas e velhas músicas (e tudo o resto…) com o Roger, os stresses e mais “esses” da Cris, o fio da navalha e a ajuda da minha DEA, sem as piadas e as viagens com o Ruben, sem a “alegria” desmedida das manhãs da Leonorina, os saltos e as provocações da Francesa, os passos e o silêncio da João, o desatino e (…hã.?) da “Gola”, os desesperos do 1.º ciclo da Rita, a malta nova do meu grupo (“Obar à veira de Abeiro” mestra, o Peseiro e o “primo do Mata” com o Armando Soalheiro!) e por último, o mais admirável de todos…1,2,3, chuck,…sempre, como música em camadas sobre os meus ouvidos…o único e incomparável Grande Chefe Índio! Vai ser complicado, companheiros!

A todos vocês agradeço o quanto me ensinaram, o quanto me aceitaram e o quanto convivemos, para mim o trabalho era apenas um meio para me aproximar dessa vossa “estranheza” que eu tanto admiro. Desejo-vos as maiores felicidades a todos, deixando a promessa de nunca vos esquecer e de sempre voltar (nem que seja por breves instantes…) para nos vermos a beber um copo num bar debaixo do mar!
'Cause everybody's weird
and they all think they're God
but the biggest one they fear is that precious thing you got.
The fire in your eyes
is a subtlety I know
and you will not be denied
but the service is so slow
Sejam felizes, voem, sejam livres, respirem e vivam… (pareço o João Paiva!)

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