...

há dias em que me deixo levar. não sou eu que estou ao leme, não sou eu que escolho a rota, deixo-me simplesmente levar por um vento que sopra de um lugar que não conheço e que não me importa. fecho os olhos e adivinho o que vê quem está de olhos abertos e só abro os olhos quando me sinto a inclinar e quando o líquido translúcido me toca as mãos. arrepio-me, do frio da água, da ausência do homem do leme, do barco a afundar. procuro o bote, a bóia, o colete. procuro o fim do sonho que não sonho e liquefaço-me no líquido que me envolve. invisível, volto a deixar-me levar. não sou eu que escolho a rota, deixo-me simplesmente levar por uma água que me embala para um onde qualquer. e adormeço e afundo-me à procura da sombra que quero encontrar.

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