desejos

quando estava barriguda da M enjoei o cheiro de um perfume num frasco azul que nunca mais conseguirei usar. ainda hoje fico mal disposta quando me cruzo com qualquer cheiro que se assemelhe, enjoo do portador do aroma e lavo a cara e o nariz se não consigo escapar a beijar quem espalhou tal fragrância no corpo... e nunca mais esqueço a cara, o nome e a indumentária trajada no momento da inalação.
quando emprenhei da m o enjoo a pastilhas de morango de quase todas as marcas, formas e feitios provocaram-me semelhante efeito repulsivo, embora com o tempo tenha vindo a superar a repulsa. a presença de figuras com hálito a morango mascado foi-se tornando suportável e a hipótese de voltar a mascar semelhante pastilha acabou por passar a tentativa e concretização, no entanto, sem qualquer sensação de prazer.
os desenjoadores foram uma invenção com um objectivo específico, criados numa semana da primeira gravidez, recriados numa semana da segunda, quando percebi que não haveria desejos que se sobrepusessem aos enjoos. infelizmente foram criações etéreas. nunca consegui encontrar um perfume com cheiro a castanhas que inibisse o insuportável cheiro do davidoff, nem pastilhas tão amargas como limas que anulassem o morango doce e quente das outras pastilhas. mas a ligação destes cheiros e sabores passou a ser indissociável. agradavelmente indissociável.

desejos... esses têm-nos as crias. a M sonha com nata açucarada batida propulsionada por óxido nitroso, pressionada directamente na boca aberta; a m gosta de nesquik com kellogs frutos vermelhos sem leite.

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