feelings

o ser que me nasceu em segundo lugar chucha no dedo desde, pelo menos, os três meses de gestação. um dia destes vai deixar de fazê-lo. vou insistindo comedidamente numa luta interna entre o «cresce ou não cresce», consciente de que o destino daquela boca onde cabe um polegar esquerdo é, já, irreversível. a arcada já está deformada, os aparelhos aguardam a queda dos dentes de leite e o aparecimento dos definitivos num tique-taque que ela tenta atrasar, para guardar aquele dedo que teme deixar de ser seu, e que tenta acelerar, porque anseia muito que lhe caia o primeiro dente. eu pressiono sem fazer muita força, e ela sabe e aproveita. apaixono-me sempre que a vejo de pijama cor de rosa, de trancinhas no cabelo (que me proíbe de desmanchar enquanto ainda está consciente), de dedo na boca, no piscar de olhos de quem está a adormecer. eu sei, apaixonar-me-ia à mesma... sem o dedo na boca.

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