inhas

de vez em quando lembro-me do barulho dos rebuçados redondos e coloridos que ela me trazia; e do cheiro das almofadas com creme branco, a saírem quentes, na padaria da rua da sofia onde me levava; e das unhas sempre arranjadas; e do frasco do verniz a rolar-lhe entre os dedos e do bater do frasco nas quatro alianças no anelar da mão esquerda; e do cabelo nunca desalinhado; e da cicatriz que lhe atravessava o pescoço; e da perna magra, quase amputada um acidente de carro, mas que nunca coxeou; e da marca dos óculos na cana do nariz quando à noite os tirava para dormir; e dos sapatos confortáveis de rede; e do som do meu nome na sua boca; e do dia em que já não estava lá para me receber; e das mãos sobre o ventre, imóveis.

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