o gelo é frio e as rosas são vermelhas

«e este amor vai decerto arrastar-me para longe. a corrente é demasiado forte, não tenho escolha possível. pode muito bem levar-me até um sítio especial, a um mundo inteiramente desconhecido. a um lugar povoado de perigos, onde esteja escondida alguma coisa que acabará fatalmente por me ferir. posso acabar por perder tudo. mas já não posso voltar atrás. só posso deixar-me ir com a maré. mesmo que comece a arder, mesmo que desapareça para sempre.»
sputnik, meu amor
haruki murakami, sobre o amor impossível de sumire por miu.
embora o risco seja eminente, ele faz parte de tudo na vida e não só de amores possíveis ou impossíveis. assim, murakami podia estar simplesmente a falar da vida e dos riscos de vivê-la. mas a vida, como o amor, é aquilo que fazemos dela. aquilo em que acreditamos que a vida, como o amor, se pode tornar será provavelmente aquilo em que se tornará. por isso é que o risco de viver, como de amar, vale a pena ser corrido. porque só quando deixamos de acreditar na vida, como no amor, é que o risco passa de uma mera hipótese a uma potencial realidade. só aí é que, de facto, a vida, como o amor, podem desaparecer.
« (...) este amor vai decerto arrastar-me para longe (...) só posso deixar-me ir com a maré (...) ».

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