palavras feias

ontem recebi um recado da escola, escrito na formal caderneta amarela da M, a caneta azul escura.
tomei conhecimento, assinando e datando no campo respectivo, e fugi para o canto mais próximo para que a M não me visse chorar.
a minha princesa bateu numa colega? a minha princesa chamou um nome tão feio a uma colega que nem a professora consegue repetir? a minha princesa não teve recreio hoje nem vai ter amanhã porque se portou mal?
e claro, a pergunta inevitável... com quem é que a minha princesa terá aprendido a bater nos colegas e com quem terá aprendido a dizer palavras feias?
e claro, lembro-me de todas as histórias que já lhe contei e de todas as vezes que já lhe expliquei que mesmo que nos apeteça bater em alguém mais vale pôr as mãos nos bolsos e assobiar, que as palavras feias devem ser atiradas para o caixote do lixo para alguém levar e não voltarem...

hoje a M teve oportunidade de contar a sua versão da história.
sem medo, a M assumiu a sua culpa. não se desculpou, não mentiu.
sentiu a nossa tristeza pelo sucedido, mas também a nossa alegria pela verdade.

eu sei que a M tem um chapéu de bruxa que às vezes usa, mas também sei que tem um coração de princesa que nunca tira.

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