retrospectiva

estou demasiado perto para conseguir ver com nitidez 2006. acho mesmo que nunca estarei suficientemente afastada para conseguir focar 2006 e que guardarei, para sempre, esta imagem distorcida deste ano cego, tão cego que tantas vezes me dá vontade de não voltar a ver.
fecho os olhos e alucino com imagens de loucura, demência e estupidez que se misturam e confundem em cores que durante tanto tempo me destruíram. não me perdoo e nunca perdoarei e mesmo quando gritar que 2006 morreu, ele viverá e arderá em mim e só não me consumirá porque nesta floresta densa que deixei crescer à minha volta, 2006 trouxe-me uns quantos minimeus que nunca me deixaram sozinha.
invisíveis durante tanto tempo, consegui finalmente vê-los… a acalmarem-me os ódios, a darem-me o ombro e a chorarem comigo, a obrigaram-me a comer e limparem-me o vómito, a agarrarem-me e a soprarem na minha testa sempre que caí e a obrigarem-me a voltar a tentar sempre que desisti. não tenho palmas nem óscares mas sou minideles e naquele dia em que 2006 desistiu e de tão pesado que estava desapareceu e levou com ele metade de novembro e dezembro inteiro, eles viram e sentiram e deixaram-me ir à procura de 2007.


afasto-me da floresta densa, sem nunca olhar para trás com os olhos postos numa sombra que me devolveu a minha, agora completa.

Leave a comment


Please note, comments must be approved before they are published


Do you want to customize a product with this amazing doodles?

Customize