taquicardia

às vezes não consigo que o bater descompassado com que nasci desacelere e não tenho força para reter o que inexplicavelmente se acumula dentro dos sacos que me nasceram nos olhos;
não consigo fazer subir os cantos dos lábios e os cantos dos olhos e não consigo fazer cantar as cordas, mesmo tentando que o líquido que se acumula na boca e nos olhos desça para me dar voz.

às vezes não consigo levantar o queixo e manter as costas direitas e não consigo não ter medo de ter feito qualquer coisa tão errada que não me permita voltar a olhar em frente;
não consigo não tropeçar nos pés que tropeçam na cabeça que tropeça na vida e não consigo não cair e não me levantar e não consigo não me sacudir e voltar a andar mesmo que não levante os olhos que olham para os pés que continuam a tropeçar.

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